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sábado, 7 de julho de 2012

Entry #02

LEANNE

Já estava perdendo a paciência com todo aquele barulho. Não aguentava mais aquele ninho, desde que voltaram de Haliax com as mãos vazias. Insistiam que poderiam ganhar Koehar para si. Já fazia séculos que os vampiros não haviam reino algum para si, vivendo como ratos em esgotos e territórios abandonados. Koehar era seu "lar" atual.

- Acha mesmo que teremos essa chance? - perguntou um deles, esfregando as mãos. - Não conseguimos fazer nada além de retirar os humanos de Haliax para os demônios. 
- Aquilo foi um erro de cálculo. Nem lobisomens, nem demônios deveriam estar lá. Não levamos em conta as variáveis. Haliax é um reino rico, com certeza deveriam ter mais raças a querendo. - tentou explicar um calvo, no canto da sala. - Infelizmente, precisaremos de um líder. Inteligente o suficiente para nos guiar nessa situação.
- Líder?! - cuspiu no chão. - Eu não apostarei em nada além da minha própria natureza nisso. Sabe o que acontece com o ultimo. Quase nos levou para a verdadeira morte na primeira noite! 

Leanne suspirou, levantando de seu caixão. Não aguentaria aquilo por muito tempo, muito menos com uma discussão política iniciando-se. Arrastando seu vestido vermelho pelo chão, suas costas eram ocultas somente pelos longos cabelos negros. Arrastou consigo alguns olhares, mas ninguém disse que não poderia sair. Já era noite a muito, e não perderia outra dessas.

Respirou fundo quando sentiu o vento contra seu rosto, e a luz da lua. Era tudo o que tinha desde que se viu presa nessa maldição de ser "imortal". Isso, e poder sentir o coração dos humanos quando os drenava. Leanne no entanto, não os matava, assim como a maioria de seu ninho. Sendo Koehar um lugar para todos, se descobertos, poderiam atrair caçadores de todos os jeitos, e isso era algo que não poderia acontecer.


- Ficou sabendo? Perderam o comando de Haliax. - comentou uma ruiva com sua amiga, enquanto acendiam cigarros. - Pelos demônios, parece-me.
- Sim, posso ter ouvido algo. - a morena dizia quase que mecanicamente, tragando do cigarro. - Não sei porque os chamam de demônios, alias. 
- Venderam suas almas ao Anaelmai. Isso os faz demônios. É uma história antiga. - Disse Leanne, sentando-se junto a elas. - Mas é uma pena, Haliax é um reino rico.
- Tem razão. - disse a morena, apaixonada pelos olhos de Leanne. - Os demônios não o mereciam. 
- Porque não param de fumar?

Cruzou as pernas, deixando-as a mostra pelo corte do vestido. As mulheres se entreolharam e deram de ombros, assentindo pouco depois. Jogando os cigarros no chão, pisando sobre eles, com um sorriso amarelo pouco depois. Leanne sorriu por isso, levando os dedos frios até o rosto da ruiva, que suspirou com isso.

- Alguém está esperando por vocês?
- Não realmente. 

Respondeu a morena. A ruiva apenas balançou a cabeça negativamente. Leanne sorriu novamente com isso, junto de um "ótimo". Já estavam viciadas nela quando deixou que suas presas aparecessem, mordendo firmemente o pescoço da garota. Tinha certo gosto por ruivas, sabe-se lá o porque.

Já era tarde quando começou a vagar pelas docas. Um grupo de marinheiros estavam reunidos num barril, onde jogavam cartas. Pareciam rir com histórias que eram contadas. Leanne sentou-se sobre um telhado próximo a eles. Marinheiros sempre lhe traziam boas histórias a respeito do que estaria acontecendo nos demais reinos, sejam mentiras ou verdades.

- Niflheim tem passado por problemas políticos. Soube que estão a ponto de ruírem economicamente. - o homem mais velho entre eles riu. - Aqueles não iriam tão longe, eu disse à vocês. 
- Eu apostei com Magni que eles iriam acabar afundando. Lembre-me de o cobrar quando o ver. 

Caíram na risada, dando inicio a outros tópicos em seguida. Leanne, no entanto, achou interessante o fato de Niflheim estar necessitando de ajuda. É o tipo de situação onde os vampiros poderiam ser uteis. Do modo deles. Mas Leanne pensou em coisas diferentes. Abriu um sorriso perverso, aproveitando do futuro em sua mente. Poderia muito bem saborear os pensamentos. Era algo que colocaria em prática, com toda a certeza.

Jogou as bolsas de sangue sobre as crianças quando chegou, abrindo sorrisos animados delas. Fazia isso sempre que se lembrava, para não morrerem de fome durante o dia. Os demais vampiros a olharam como se não houvessem percebido nem mesmo a saída. Mas decidiu compartilhar mesmo assim.

- Estarei viajando amanhã. E não tenho previsão de retorno.

Disse de uma forma indiferente, como se falasse para si mesma, embora com tom alto. Alguns disseram alguma coisa contra, outros jogaram um "Tanto faz", mas Leanne ignorou a todos. As crianças pareceram tristes com a notícia, mas sabiam que dizer o contrário não iria dar em nada. Não tinham poder de voz nenhuma, embora uma e outra tivessem quase cinquenta anos.


Leanne nesta noite se vestiu da melhor forma possível. Um vestido escuro cujo ia até o meio das coxas, fixo ao seu corpo, deixando as curvas muito bem destacadas, e suas pernas totalmente visíveis. Aquela pele pálida não era um problema com um vestido desses, muito menos com o decote que ele possuía. Seus cabelos pretos estavam presos, com apenas algumas mechas caindo pelo rosto.


- Jurava que a deusa Tenebris não estava mais entre nós.


Disse um dos muitos homens naquele enorme salão. O navio que partiria para Niflheim era, na verdade, bem luxuoso. Leanne abriu um sorriso com o elogio, assentindo. Tenabris, era afinal, uma deusa profana da beleza. Para uma vampira, era um elogio e tanto, mesmo o homem não sabendo que era uma. Podia ter certeza que seria uma provocação e tanto para humanas. 


- Não sou Tenebris. Mas posso fingir que sou. Posso matar todos que estão aqui, empilhar e jogar todo o álcool sobre vocês, terminando comigo sentada bem aqui, tomando uma taça de vinho. Tal como Tenebis fez com sua família para se aproximar de Anaelmai. O que acha?


Diante do sorriso perverso, o homem quase caiu ao se desaproximar, dizendo que Leanne era louca, e outros tipos de complementos nada bonito. Ela retirou as expressões do rosto, cruzando as pernas como se não tivesse nada a ver com aquilo.


- Foi uma grosseria e tanto. - disse um elfo, sentando-se na cadeira ao lado. - Digo, o que ele disse. - ele abriu um sorriso, bebendo de uma taça de champagne. - Mas você também foi grossa, senhorita.
- Fui? 


Leanne achava interessante os elfos. Raramente via algum. Estavam sempre em Aithess, com suas regras malucas e insanas, embora para eles funcionasse bem. O elfo agora assentiu, olhando seriamente para Leanne. Mas depois balançou a cabeça negativamente, junto a um riso. Possuía cabelos prateados, e olhos verdes. Em sua pele havia várias linhas mais escuras que esta, como desenhos. Leu algo a respeito, eram elfos que possuíam alguma hierarquia alta em Aithess. Um nobre, provavelmente.


- De qualquer forma, comparar alguém com Tenebris... Ele deve estar bêbado. - o elfo riu. Leanne gostou do som. - Bem, sou Fenris. Um elfo, como já deve ter notado. - realmente, as orelhas não eram fáceis de esconder. - E a senhorita seria? Se me der este prazer, é claro.
- Leanne D'Lorean. - e sorriu. - E o prazer é todo meu. 

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