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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entry #03

- Então você é um nobre, hm? Isso é interessante.
- Sim. Digamos que sim. - Ele pareceu distraído com o oceano, enquanto alisava as barras de segurança. - Mas, saí de Aithess. Não possuo mais vínculos com minha família desde então.
- Ser elfo parece complicado. - Leanne riu. - Só porque quis seguir seu sonho? Besteira retirarem tudo de você por causa disso.
- As coisas em Aithess são diferentes. - Ele retornou os olhos para ela. - A natureza em primeiro lugar. Em seguida a família. No momento em que eu decidi deixar Aithess, é como se eu me colocasse acima da própria natureza.
- É por isso que não vemos muitos elfos.
- Sim. É algo... profano, vamos dizer, sair do meio em que crescemos e vivemos. Eu sei. É besteira. - suspirou, retornando os olhos para o ocenao. - Mas é como funciona.
- E não pode mais voltar?
- Bem... - ele pareceu pensar sobre aquilo. - Há meios de voltar, sim. Mas quero fazer mais pelas pessoas. - sorriu, pensando nisso. - Sinto como se não tivesse atingido meu objetivo ainda.

Leanne fez um som pensativo, retornando os olhos para o oceano também. A água se movia, mas sabia que não era pelos ventos. Aquele caminho era um dos mais perigosos. Mas, em Mekar, todo oceano é perigoso.

Acabou por tomar interesse em Fenris. Até pensou em utiliza-lo em seus planos. Ele parecia o tipo certo. Como vampira, não poderia comandar tudo apenas a noite. Algum tipo de ajudante seria necessário. Iria falar a respeito, mas foi interrompida por ele antes que pudesse o fazer.

- Olha, o sol vai nascer.
- Hã? Já?
- Bem, sim. Parece que passamos toda a noite conversando. - ele sorriu, animado.
- Isso é ruim. Tenho que ir, Fenris. - Já havia começado a andar. - Nos vemos amanhã a noite?

No entanto, não esperou por respostas. Desceu o mais rápido possível que conseguiria sem chamar atenções desnecessárias. Na ultima parte do navio era escuro suficiente, por estar submersa. Já havia providenciado sua "moradia" nesses dias de viagem. Era um caixão negro e velho, cujo usou como desculpa, ser o corpo de seu pai, que seria enterrado em Niflheim junto de seus demais familiares. 

Entrando nele, fechou tranca por tranca, para que não fosse perturbada durante o dia. Demorariam um tempo para chegar até Niflheim afinal. Foi realmente grosseira com Fenris naquela saída. Mas era o que deveria fazer. Não se sentia satisfeita contando que é uma vampira. Sabia se precaver. Mas, fechando os olhos junto ao bocejo, decidiu não pensar mais sobre isso. Pelo menos, não até a noite.

LONWYN

Acordou com a água fria no rosto. Cuspindo o sangue, retornou os olhos amarelos contra o homem que desatava a rir com a situação. Sentia os ferimentos doerem com a água. Já fazia alguns dias que eles estavam abertos, e isso os fez doer ainda mais.

- Acorde, vira-lata. Senhor Enone quer você em boas condições. 
- Se ele me quer tanto sim, mande ele mesmo vir me buscar.

O homem pareceu pensar sobre aquilo. Lonwyn teve certeza então, que era um ser sem cérebro algum. Mas finalmente ele entendeu que estava apenas provocando. Rosnando, bateu na cabeça de Lonwyn com o balde, como que para ensinar alguma lição.

- Não seja estúpido. Os demais prisioneiros ficarão aqui até que apodreçam, deveria se sentir grato! 

Lonwyn cerrou os dentes, num rosnar baixo. Não gostava nem um pouco dessas situações. Mas decidiu ficar quieto, por enquanto. Levaram-no até um quarto, onde foi permitido que tomasse banho e trocasse as roupas. Uma garota foi até este quarto pouco depois, tratando dos ferimentos. Por mais que Lonwyn falasse com ela, ela parecia não possuir língua, pois nem ao menos deu indícios que poderia falar. 

Caminhou sob a custódia de dois homens, com as lanças cruzadas atrás de seu corpo. Lonwyn estava apenas com braceletes de prata interligadas com uma corrente do mesmo material, mas fora isso, totalmente livre. Sua aparência de qualquer forma, estava horrível. Havia cortes no rosto, e seu cabelo negro, que outrora era longo, agora era curto e irregular. Cortesia de seus carcereiros.

- Lonwyn! - Enone veio até ele, com um sorriso enorme no rosto. - Deuses, você está péssimo. Não dormiu bem?

Lonwyn não demonstrou expressão nenhuma na frente dele além do ódio. Enone Borr. Costumavam brincar juntos quando criança, na época em que ele também era um lobisomem. Depois que vendeu sua alma à Anaelmai, se tornou esse homem alto e pálido, tão magro que jurava poder o quebrar com o simples encostar de seu punho. E mesmo sim Enone riu de sua cara após o próprio comentário.

- Sinto-lhe dizer, que não é assim que eu queria tratar um velho amigo. Retirem esses malditos braceletes. 

Retirados, acariciou os próprios pulsos. Tinha os olhos fixos em Enone, e apesar de seu instinto dizer para o surrar como nunca havia feito na vida, permaneceu quieto. A sala estava repleta de guardas, estaria morto antes que tivesse a oportunidade de o acertar de fato. Enone tinha uma agilidade que até mesmo Lonwyn sabia admirar, e com ele magro desse jeito, devia ter aumentado ainda mais essa habilidade. 

- Espero que você tenha um ótimo motivo para isso. - Lonwyn finalmente disse, numa voz rouca de tantos dias sem falar. - Não vai ser nenhuma amizade que salvará meu julgamento em relação ao que fez comigo e meus irmãos. 
- Não o trouxe aqui para buscar seu perdão. De fato. - começou a andar até uma mesa adiante. - Lhe conheço e sei que seria uma puta perda de tempo. - pareceu rir por um instante. - Sente-se, Lonwyn. Pelos velhos tempos.

Assim o fez, cruzando os braços quando o fez. Podia sentir os ferimentos do torso doer desta forma, mas não se importava. Isso até ajudava a se controlar. Enone sentou-se logo ao lado, junto a um gesto para algumas mulheres, que trouxeram os mantimentos. 

- Quero tratar a paz com os lobisomens. - começou Enone, enquanto servia-se. - Os vampiros não me apresentam nenhum tipo de resistência, visto que não possuem nada além de seus hábitos sujos. Vocês, por outro lado, tem Lynafir. Junto de Haliax podemos...
- Espero que não esteja nos colocando em seus planos. - interrompeu Lonwyn, também se servindo. Uma boa refeição depois de dias tinha a cara ótima. - Você matou e aprisionou diversos de nossos irmãos. Senhor Cenêo nunca iria concordar com tais termos. 
- E quem disse que eu estou colocando Cenêo em meus planos?

Disse enquanto abocanhava um pedaço de carne. A fala fez Lonwyn fixar os olhares nele por mais uma vez, num esforço inútil de tentar entender a mente perversa daquele demônio. O silêncio finalmente se quebrou quando Enone disse seus pensamentos.

- Se aceitar me ajudar, velho amigo, você quem será o topo da matilha. Não Cenêo, e muito menos aquela puta que ele anda montando.
- Demonstre algum respeito por Hella. - Lonwyn interrompeu rudemente. - Ela é minha prima.
- Tanto faz. - Enone suspirou, pensando em como era difícil lidar com os humores de lobisomens. - De qualquer forma, o poder seria totalmente seu. E se alistar à minha causa pode ser o melhor que você fará por seus irmãos em minha carcere. 
- E sua causa seria? - começou a comer. Pela primeira vez pensando naquilo.
- Desejo retirar totalmente os humanos do controle. De todos os reinos. Voltar à época dos Conquistadores, onde apenas os poderosos governavam.
- Não se esqueça que você não é nenhum Dragão. 
- Não sou. De fato. - bebericou uma taça de vinho. - Mas podemos escrever um novo capítulo da história. Eu já fui um lobisomem, Lonwyn, você sabe, sei do que são capazes. Com alguém competente no comando, e como competente eu digo você, Lonwyn, poderá treinar esses cachorrinhos para atacar os governos em especial. Niflheim, Ardeth e Koehar, são os reinos que podemos ganhar para nós. E tendo eles, investiremos em Aithess e a própria Valhala! 
- Está louco?

Lonwyn já havia ouvido ideias malucas, mas esta parecia insana. A própria Ardeth era uma cúpula de prata que nada poderia investir contra sem sair com danos consideráveis. Fora ter uma população totalmente voltada ao treinamento militar. Até mesmo crianças sabiam como atirar com uma arma automática. Ou pelo menos, era o que diziam.

- Valhala é um lugar assombrado e amaldiçoado pelos Deuses. É o que todos dizem. Não arriscaria a vida de meus irmãos adentrando aquele lugar.
- Está com medo de um pedaço de terra? - ele riu, divertindo-se com os medos de Lonwyn. - Isso é apenas mito. Não passa de uma terra abandonada. 
- Minha resposta é não. Não posso correr esse risco.

As expressões de Enone desapareceram. Pelo visto não contava com esse tipo de resposta. Cerrou os dentes, mas por sorte ele se voltou a sua raiva para outra coisa, quando uma garota abriu a porta, correndo salão adentro. Pela agilidade que desviou dos guardas, Lonwyn supôs imediatamente que se tratava da filha de Enone. 

- Papai! - disse ela num sorriso enorme, mas Enone não abriu expressão alguma com isso. - Eu descobri mais um tipo de mineral aqui em Haliax. Veja como brilha! 

Ela trouxe um cristal rosado, com várias partes brilhando nela, dando a impressão que a coloração se movia. Lonwyn nunca tinha visto um mineral assim. Fixou os olhos naquela pedra, coisa que Enone não fez nem por um instante. Somente ergueu a voz, um som agudo e irritante demais ao chamar a empregada.

- Fulla! Sua puta velha e inútil, ela está aqui novamente!

A menina começou a pedir desculpas, junto de outros apelos. Lonwyn suspirou. Fazia realmente a cara de Enone manter seus familiares o mais longe possível. Quando a mulher com os cabelos loiros presos entrou no salão, agarrou-se à Lonwyn imediatamente.

- Não a deixe me levar, por favor. 
- Vamos, Atena. - disse a mulher, já a puxando pelas roupas.
- Não me disse que tinha uma filha, Enone.
- Não considero "isso ai" como minha filha.
- Então... - Lonwyn estava incomodado com ela agarrado à suas roupas, enquanto a mulher a puxava. - Eu aceito seus termos, se me deixar cuidar dela no lugar de Fulla. 


Até mesmo Fulla parou com aquilo. Atena o olhou como se não acreditasse no que estava ouvindo. Só Enone finalmente demonstrou algo. Começou a rir tão alto como lhe era possível, mas Lonwyn manteve-se firme. "Não deixarei", ele disse para ela num sorriso confiante, durante o riso de Enone. Isso fez com que Atena abrisse um sorriso animado. 


- Ótimo. - ele disse de repente, cessando o riso de uma vez. - Saia daqui, Fulla. Você é uma vadia inútil. Atena, agora você é a puta do Senhor Lonwyn. Se voltar a me incomodar, juro por Anaelmai que jogarei você e ele no lago de fogo em Valhala. 


Mesmo com os xingamentos e ameaças, Atena pareceu adorar a ideia de não ter de permanecer no quarto sob "cuidados" de Fulla. Lonwyn suspirou e então disse gentilmente que Atena voltasse ao quarto por enquanto, pois sabia que Enone não seria nada gentil ao pedir isso. Quanto menos ela ouvisse das palavras sujas do pai, melhor. E ela então se foi. Lonwyn sabia muito bem que deveria ter pedido misericórdia por seus irmãos na prisão, mas poderia persuadir Enone depois.  


- Onde estávamos quanto a invadir os reinos mesmo?

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