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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entry #03

- Então você é um nobre, hm? Isso é interessante.
- Sim. Digamos que sim. - Ele pareceu distraído com o oceano, enquanto alisava as barras de segurança. - Mas, saí de Aithess. Não possuo mais vínculos com minha família desde então.
- Ser elfo parece complicado. - Leanne riu. - Só porque quis seguir seu sonho? Besteira retirarem tudo de você por causa disso.
- As coisas em Aithess são diferentes. - Ele retornou os olhos para ela. - A natureza em primeiro lugar. Em seguida a família. No momento em que eu decidi deixar Aithess, é como se eu me colocasse acima da própria natureza.
- É por isso que não vemos muitos elfos.
- Sim. É algo... profano, vamos dizer, sair do meio em que crescemos e vivemos. Eu sei. É besteira. - suspirou, retornando os olhos para o ocenao. - Mas é como funciona.
- E não pode mais voltar?
- Bem... - ele pareceu pensar sobre aquilo. - Há meios de voltar, sim. Mas quero fazer mais pelas pessoas. - sorriu, pensando nisso. - Sinto como se não tivesse atingido meu objetivo ainda.

Leanne fez um som pensativo, retornando os olhos para o oceano também. A água se movia, mas sabia que não era pelos ventos. Aquele caminho era um dos mais perigosos. Mas, em Mekar, todo oceano é perigoso.

Acabou por tomar interesse em Fenris. Até pensou em utiliza-lo em seus planos. Ele parecia o tipo certo. Como vampira, não poderia comandar tudo apenas a noite. Algum tipo de ajudante seria necessário. Iria falar a respeito, mas foi interrompida por ele antes que pudesse o fazer.

- Olha, o sol vai nascer.
- Hã? Já?
- Bem, sim. Parece que passamos toda a noite conversando. - ele sorriu, animado.
- Isso é ruim. Tenho que ir, Fenris. - Já havia começado a andar. - Nos vemos amanhã a noite?

No entanto, não esperou por respostas. Desceu o mais rápido possível que conseguiria sem chamar atenções desnecessárias. Na ultima parte do navio era escuro suficiente, por estar submersa. Já havia providenciado sua "moradia" nesses dias de viagem. Era um caixão negro e velho, cujo usou como desculpa, ser o corpo de seu pai, que seria enterrado em Niflheim junto de seus demais familiares. 

Entrando nele, fechou tranca por tranca, para que não fosse perturbada durante o dia. Demorariam um tempo para chegar até Niflheim afinal. Foi realmente grosseira com Fenris naquela saída. Mas era o que deveria fazer. Não se sentia satisfeita contando que é uma vampira. Sabia se precaver. Mas, fechando os olhos junto ao bocejo, decidiu não pensar mais sobre isso. Pelo menos, não até a noite.

LONWYN

Acordou com a água fria no rosto. Cuspindo o sangue, retornou os olhos amarelos contra o homem que desatava a rir com a situação. Sentia os ferimentos doerem com a água. Já fazia alguns dias que eles estavam abertos, e isso os fez doer ainda mais.

- Acorde, vira-lata. Senhor Enone quer você em boas condições. 
- Se ele me quer tanto sim, mande ele mesmo vir me buscar.

O homem pareceu pensar sobre aquilo. Lonwyn teve certeza então, que era um ser sem cérebro algum. Mas finalmente ele entendeu que estava apenas provocando. Rosnando, bateu na cabeça de Lonwyn com o balde, como que para ensinar alguma lição.

- Não seja estúpido. Os demais prisioneiros ficarão aqui até que apodreçam, deveria se sentir grato! 

Lonwyn cerrou os dentes, num rosnar baixo. Não gostava nem um pouco dessas situações. Mas decidiu ficar quieto, por enquanto. Levaram-no até um quarto, onde foi permitido que tomasse banho e trocasse as roupas. Uma garota foi até este quarto pouco depois, tratando dos ferimentos. Por mais que Lonwyn falasse com ela, ela parecia não possuir língua, pois nem ao menos deu indícios que poderia falar. 

Caminhou sob a custódia de dois homens, com as lanças cruzadas atrás de seu corpo. Lonwyn estava apenas com braceletes de prata interligadas com uma corrente do mesmo material, mas fora isso, totalmente livre. Sua aparência de qualquer forma, estava horrível. Havia cortes no rosto, e seu cabelo negro, que outrora era longo, agora era curto e irregular. Cortesia de seus carcereiros.

- Lonwyn! - Enone veio até ele, com um sorriso enorme no rosto. - Deuses, você está péssimo. Não dormiu bem?

Lonwyn não demonstrou expressão nenhuma na frente dele além do ódio. Enone Borr. Costumavam brincar juntos quando criança, na época em que ele também era um lobisomem. Depois que vendeu sua alma à Anaelmai, se tornou esse homem alto e pálido, tão magro que jurava poder o quebrar com o simples encostar de seu punho. E mesmo sim Enone riu de sua cara após o próprio comentário.

- Sinto-lhe dizer, que não é assim que eu queria tratar um velho amigo. Retirem esses malditos braceletes. 

Retirados, acariciou os próprios pulsos. Tinha os olhos fixos em Enone, e apesar de seu instinto dizer para o surrar como nunca havia feito na vida, permaneceu quieto. A sala estava repleta de guardas, estaria morto antes que tivesse a oportunidade de o acertar de fato. Enone tinha uma agilidade que até mesmo Lonwyn sabia admirar, e com ele magro desse jeito, devia ter aumentado ainda mais essa habilidade. 

- Espero que você tenha um ótimo motivo para isso. - Lonwyn finalmente disse, numa voz rouca de tantos dias sem falar. - Não vai ser nenhuma amizade que salvará meu julgamento em relação ao que fez comigo e meus irmãos. 
- Não o trouxe aqui para buscar seu perdão. De fato. - começou a andar até uma mesa adiante. - Lhe conheço e sei que seria uma puta perda de tempo. - pareceu rir por um instante. - Sente-se, Lonwyn. Pelos velhos tempos.

Assim o fez, cruzando os braços quando o fez. Podia sentir os ferimentos do torso doer desta forma, mas não se importava. Isso até ajudava a se controlar. Enone sentou-se logo ao lado, junto a um gesto para algumas mulheres, que trouxeram os mantimentos. 

- Quero tratar a paz com os lobisomens. - começou Enone, enquanto servia-se. - Os vampiros não me apresentam nenhum tipo de resistência, visto que não possuem nada além de seus hábitos sujos. Vocês, por outro lado, tem Lynafir. Junto de Haliax podemos...
- Espero que não esteja nos colocando em seus planos. - interrompeu Lonwyn, também se servindo. Uma boa refeição depois de dias tinha a cara ótima. - Você matou e aprisionou diversos de nossos irmãos. Senhor Cenêo nunca iria concordar com tais termos. 
- E quem disse que eu estou colocando Cenêo em meus planos?

Disse enquanto abocanhava um pedaço de carne. A fala fez Lonwyn fixar os olhares nele por mais uma vez, num esforço inútil de tentar entender a mente perversa daquele demônio. O silêncio finalmente se quebrou quando Enone disse seus pensamentos.

- Se aceitar me ajudar, velho amigo, você quem será o topo da matilha. Não Cenêo, e muito menos aquela puta que ele anda montando.
- Demonstre algum respeito por Hella. - Lonwyn interrompeu rudemente. - Ela é minha prima.
- Tanto faz. - Enone suspirou, pensando em como era difícil lidar com os humores de lobisomens. - De qualquer forma, o poder seria totalmente seu. E se alistar à minha causa pode ser o melhor que você fará por seus irmãos em minha carcere. 
- E sua causa seria? - começou a comer. Pela primeira vez pensando naquilo.
- Desejo retirar totalmente os humanos do controle. De todos os reinos. Voltar à época dos Conquistadores, onde apenas os poderosos governavam.
- Não se esqueça que você não é nenhum Dragão. 
- Não sou. De fato. - bebericou uma taça de vinho. - Mas podemos escrever um novo capítulo da história. Eu já fui um lobisomem, Lonwyn, você sabe, sei do que são capazes. Com alguém competente no comando, e como competente eu digo você, Lonwyn, poderá treinar esses cachorrinhos para atacar os governos em especial. Niflheim, Ardeth e Koehar, são os reinos que podemos ganhar para nós. E tendo eles, investiremos em Aithess e a própria Valhala! 
- Está louco?

Lonwyn já havia ouvido ideias malucas, mas esta parecia insana. A própria Ardeth era uma cúpula de prata que nada poderia investir contra sem sair com danos consideráveis. Fora ter uma população totalmente voltada ao treinamento militar. Até mesmo crianças sabiam como atirar com uma arma automática. Ou pelo menos, era o que diziam.

- Valhala é um lugar assombrado e amaldiçoado pelos Deuses. É o que todos dizem. Não arriscaria a vida de meus irmãos adentrando aquele lugar.
- Está com medo de um pedaço de terra? - ele riu, divertindo-se com os medos de Lonwyn. - Isso é apenas mito. Não passa de uma terra abandonada. 
- Minha resposta é não. Não posso correr esse risco.

As expressões de Enone desapareceram. Pelo visto não contava com esse tipo de resposta. Cerrou os dentes, mas por sorte ele se voltou a sua raiva para outra coisa, quando uma garota abriu a porta, correndo salão adentro. Pela agilidade que desviou dos guardas, Lonwyn supôs imediatamente que se tratava da filha de Enone. 

- Papai! - disse ela num sorriso enorme, mas Enone não abriu expressão alguma com isso. - Eu descobri mais um tipo de mineral aqui em Haliax. Veja como brilha! 

Ela trouxe um cristal rosado, com várias partes brilhando nela, dando a impressão que a coloração se movia. Lonwyn nunca tinha visto um mineral assim. Fixou os olhos naquela pedra, coisa que Enone não fez nem por um instante. Somente ergueu a voz, um som agudo e irritante demais ao chamar a empregada.

- Fulla! Sua puta velha e inútil, ela está aqui novamente!

A menina começou a pedir desculpas, junto de outros apelos. Lonwyn suspirou. Fazia realmente a cara de Enone manter seus familiares o mais longe possível. Quando a mulher com os cabelos loiros presos entrou no salão, agarrou-se à Lonwyn imediatamente.

- Não a deixe me levar, por favor. 
- Vamos, Atena. - disse a mulher, já a puxando pelas roupas.
- Não me disse que tinha uma filha, Enone.
- Não considero "isso ai" como minha filha.
- Então... - Lonwyn estava incomodado com ela agarrado à suas roupas, enquanto a mulher a puxava. - Eu aceito seus termos, se me deixar cuidar dela no lugar de Fulla. 


Até mesmo Fulla parou com aquilo. Atena o olhou como se não acreditasse no que estava ouvindo. Só Enone finalmente demonstrou algo. Começou a rir tão alto como lhe era possível, mas Lonwyn manteve-se firme. "Não deixarei", ele disse para ela num sorriso confiante, durante o riso de Enone. Isso fez com que Atena abrisse um sorriso animado. 


- Ótimo. - ele disse de repente, cessando o riso de uma vez. - Saia daqui, Fulla. Você é uma vadia inútil. Atena, agora você é a puta do Senhor Lonwyn. Se voltar a me incomodar, juro por Anaelmai que jogarei você e ele no lago de fogo em Valhala. 


Mesmo com os xingamentos e ameaças, Atena pareceu adorar a ideia de não ter de permanecer no quarto sob "cuidados" de Fulla. Lonwyn suspirou e então disse gentilmente que Atena voltasse ao quarto por enquanto, pois sabia que Enone não seria nada gentil ao pedir isso. Quanto menos ela ouvisse das palavras sujas do pai, melhor. E ela então se foi. Lonwyn sabia muito bem que deveria ter pedido misericórdia por seus irmãos na prisão, mas poderia persuadir Enone depois.  


- Onde estávamos quanto a invadir os reinos mesmo?

sábado, 7 de julho de 2012

Entry #02

LEANNE

Já estava perdendo a paciência com todo aquele barulho. Não aguentava mais aquele ninho, desde que voltaram de Haliax com as mãos vazias. Insistiam que poderiam ganhar Koehar para si. Já fazia séculos que os vampiros não haviam reino algum para si, vivendo como ratos em esgotos e territórios abandonados. Koehar era seu "lar" atual.

- Acha mesmo que teremos essa chance? - perguntou um deles, esfregando as mãos. - Não conseguimos fazer nada além de retirar os humanos de Haliax para os demônios. 
- Aquilo foi um erro de cálculo. Nem lobisomens, nem demônios deveriam estar lá. Não levamos em conta as variáveis. Haliax é um reino rico, com certeza deveriam ter mais raças a querendo. - tentou explicar um calvo, no canto da sala. - Infelizmente, precisaremos de um líder. Inteligente o suficiente para nos guiar nessa situação.
- Líder?! - cuspiu no chão. - Eu não apostarei em nada além da minha própria natureza nisso. Sabe o que acontece com o ultimo. Quase nos levou para a verdadeira morte na primeira noite! 

Leanne suspirou, levantando de seu caixão. Não aguentaria aquilo por muito tempo, muito menos com uma discussão política iniciando-se. Arrastando seu vestido vermelho pelo chão, suas costas eram ocultas somente pelos longos cabelos negros. Arrastou consigo alguns olhares, mas ninguém disse que não poderia sair. Já era noite a muito, e não perderia outra dessas.

Respirou fundo quando sentiu o vento contra seu rosto, e a luz da lua. Era tudo o que tinha desde que se viu presa nessa maldição de ser "imortal". Isso, e poder sentir o coração dos humanos quando os drenava. Leanne no entanto, não os matava, assim como a maioria de seu ninho. Sendo Koehar um lugar para todos, se descobertos, poderiam atrair caçadores de todos os jeitos, e isso era algo que não poderia acontecer.


- Ficou sabendo? Perderam o comando de Haliax. - comentou uma ruiva com sua amiga, enquanto acendiam cigarros. - Pelos demônios, parece-me.
- Sim, posso ter ouvido algo. - a morena dizia quase que mecanicamente, tragando do cigarro. - Não sei porque os chamam de demônios, alias. 
- Venderam suas almas ao Anaelmai. Isso os faz demônios. É uma história antiga. - Disse Leanne, sentando-se junto a elas. - Mas é uma pena, Haliax é um reino rico.
- Tem razão. - disse a morena, apaixonada pelos olhos de Leanne. - Os demônios não o mereciam. 
- Porque não param de fumar?

Cruzou as pernas, deixando-as a mostra pelo corte do vestido. As mulheres se entreolharam e deram de ombros, assentindo pouco depois. Jogando os cigarros no chão, pisando sobre eles, com um sorriso amarelo pouco depois. Leanne sorriu por isso, levando os dedos frios até o rosto da ruiva, que suspirou com isso.

- Alguém está esperando por vocês?
- Não realmente. 

Respondeu a morena. A ruiva apenas balançou a cabeça negativamente. Leanne sorriu novamente com isso, junto de um "ótimo". Já estavam viciadas nela quando deixou que suas presas aparecessem, mordendo firmemente o pescoço da garota. Tinha certo gosto por ruivas, sabe-se lá o porque.

Já era tarde quando começou a vagar pelas docas. Um grupo de marinheiros estavam reunidos num barril, onde jogavam cartas. Pareciam rir com histórias que eram contadas. Leanne sentou-se sobre um telhado próximo a eles. Marinheiros sempre lhe traziam boas histórias a respeito do que estaria acontecendo nos demais reinos, sejam mentiras ou verdades.

- Niflheim tem passado por problemas políticos. Soube que estão a ponto de ruírem economicamente. - o homem mais velho entre eles riu. - Aqueles não iriam tão longe, eu disse à vocês. 
- Eu apostei com Magni que eles iriam acabar afundando. Lembre-me de o cobrar quando o ver. 

Caíram na risada, dando inicio a outros tópicos em seguida. Leanne, no entanto, achou interessante o fato de Niflheim estar necessitando de ajuda. É o tipo de situação onde os vampiros poderiam ser uteis. Do modo deles. Mas Leanne pensou em coisas diferentes. Abriu um sorriso perverso, aproveitando do futuro em sua mente. Poderia muito bem saborear os pensamentos. Era algo que colocaria em prática, com toda a certeza.

Jogou as bolsas de sangue sobre as crianças quando chegou, abrindo sorrisos animados delas. Fazia isso sempre que se lembrava, para não morrerem de fome durante o dia. Os demais vampiros a olharam como se não houvessem percebido nem mesmo a saída. Mas decidiu compartilhar mesmo assim.

- Estarei viajando amanhã. E não tenho previsão de retorno.

Disse de uma forma indiferente, como se falasse para si mesma, embora com tom alto. Alguns disseram alguma coisa contra, outros jogaram um "Tanto faz", mas Leanne ignorou a todos. As crianças pareceram tristes com a notícia, mas sabiam que dizer o contrário não iria dar em nada. Não tinham poder de voz nenhuma, embora uma e outra tivessem quase cinquenta anos.


Leanne nesta noite se vestiu da melhor forma possível. Um vestido escuro cujo ia até o meio das coxas, fixo ao seu corpo, deixando as curvas muito bem destacadas, e suas pernas totalmente visíveis. Aquela pele pálida não era um problema com um vestido desses, muito menos com o decote que ele possuía. Seus cabelos pretos estavam presos, com apenas algumas mechas caindo pelo rosto.


- Jurava que a deusa Tenebris não estava mais entre nós.


Disse um dos muitos homens naquele enorme salão. O navio que partiria para Niflheim era, na verdade, bem luxuoso. Leanne abriu um sorriso com o elogio, assentindo. Tenabris, era afinal, uma deusa profana da beleza. Para uma vampira, era um elogio e tanto, mesmo o homem não sabendo que era uma. Podia ter certeza que seria uma provocação e tanto para humanas. 


- Não sou Tenebris. Mas posso fingir que sou. Posso matar todos que estão aqui, empilhar e jogar todo o álcool sobre vocês, terminando comigo sentada bem aqui, tomando uma taça de vinho. Tal como Tenebis fez com sua família para se aproximar de Anaelmai. O que acha?


Diante do sorriso perverso, o homem quase caiu ao se desaproximar, dizendo que Leanne era louca, e outros tipos de complementos nada bonito. Ela retirou as expressões do rosto, cruzando as pernas como se não tivesse nada a ver com aquilo.


- Foi uma grosseria e tanto. - disse um elfo, sentando-se na cadeira ao lado. - Digo, o que ele disse. - ele abriu um sorriso, bebendo de uma taça de champagne. - Mas você também foi grossa, senhorita.
- Fui? 


Leanne achava interessante os elfos. Raramente via algum. Estavam sempre em Aithess, com suas regras malucas e insanas, embora para eles funcionasse bem. O elfo agora assentiu, olhando seriamente para Leanne. Mas depois balançou a cabeça negativamente, junto a um riso. Possuía cabelos prateados, e olhos verdes. Em sua pele havia várias linhas mais escuras que esta, como desenhos. Leu algo a respeito, eram elfos que possuíam alguma hierarquia alta em Aithess. Um nobre, provavelmente.


- De qualquer forma, comparar alguém com Tenebris... Ele deve estar bêbado. - o elfo riu. Leanne gostou do som. - Bem, sou Fenris. Um elfo, como já deve ter notado. - realmente, as orelhas não eram fáceis de esconder. - E a senhorita seria? Se me der este prazer, é claro.
- Leanne D'Lorean. - e sorriu. - E o prazer é todo meu. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Entry #01

PRÓLOGO

A noite já havia caído a muito. Por algum motivo, pensaram que seria proveitoso acabar com isso de uma vez. Com certeza o líder bradaria por contraditórias, e que estavam dias adiantados do plano original. Lonwyn cuspiu no chão ao pensar sobre isso, rindo depois junto de seus companheiros. Ninguém ali dava a mínima para o que Cenêo pensaria, estavam a meses com esses planos e nada parecia progredir. 

- Essa é a noite, senhores. Ganharemos o que merecemos. E quando eu digo merecer, não é aquele pedaço de merda que os humanos nos deram! - foi seguido por gritos, sabia agora, que ganhou confiança nessa causa. - Vamos pegar esse lugar para nós. Queimaremos as casas, estupraremos todas as mulheres, e então começaremos um novo reino. Haliax será lembrado nesse dia, como o Reino que sangrou; mais renasceu, tão belo como é agora!

Lonwyn sentia-se satisfeito pelos gritos. Homens e mulheres de sua raça, que erguiam a voz e punhos em sua causa. Nenhum deles queriam esperar as ordens de Cenêo. Já era tarde demais, ninguém aguentava esperar. E então ele ergueu o próprio braço, com o punho fechado. Não era uma comemoração como os demais. Insinuou para que se calassem, e assim o fizeram.

Estavam a algumas horas reunidos na costa leste de Haliax, e por enquanto nada havia acontecido. Até agora. O cheiro que emanava no ar era delicioso, ao mesmo tempo que chegava a ser repugnante logo à frente. A morte se propagava pelo ar agora era mais perceptível. Com um urro de raiva, Lonwyn partiu liderando a investida, e como todos os outros ali presentes, sob a pele dos lobos. 

O que ele desconfiava era verdade. Estavam atrasados. A cidade de Khors estava estranhamente vazia. Mas o cheiro de sangue era muito bem perceptível. Sentiu uma raiva enorme submergir de dentro dele, não costumava sentir isso tantas vezes, mas sentia-se necessário a o fazer agora que se encontravam nessa situação. Não ousaria por tudo para perder, muito menos com seus irmãos junto de si nesse Reino. 

- Avante! Não iremos perder essa cidade. 

Disse, numa linguagem peculiar demais para humanos entenderem, pois vinha de uma antiga língua própria. Todos os lobos ali ergueram-se em uivos, arrepiando a noite. É claro que seus inimigos ouviriam isso, e Lonwyn sentiu-se agradável por assim ser. Deixaria que sentissem o medo em seus corações, seja lá quem seriam, não importando que tipo de coisa teriam de fazer. 

Sob passos rápidos alcançaram a entrada, um enorme portão de ferro escancarado. As letras de "Khors" pendiam nesses ferros, e não era por mal cuidado. Alguma coisa bateu sobre elas, e pelo sangue que pendia dessas mesmas letras, era humano. Só podia significar uma coisa. Outra raça estava por trás disto. Não seriam os Elfos. Eles não saiam de Aithess por nenhuma circunstância. Só podiam ser os sugadores de sangue. 

Claro, é uma forma totalmente carinhosa de chamar os vampiros. Lonwyn rosnou diante dessa possibilidade, mas, novamente, foi o primeiro a liderar os ataques. Uma frota de lobos o seguiu, e abateram os primeiros vampiros que viram. Não sobrou nada além de carcaça para contar história. 

As ruas de Khors estavam carregadas de sangue. Esquina por esquina se percebe o quanto de sangue humano foi derramado. Não aguentava mais se segurar de raiva. Por sorte, finalmente achou-se entre a aglomeração dos vampiros, que a esse ponto, com apenas alguns humanos que lutavam contra. Eles estavam entre a vida e a morte, claramente. Mas Lonwyn é orgulhoso demais para deixar os vampiros ganharem dessa forma.


A batalha foi sangrenta. Os lobisomens destroçavam vampiros como se fossem brinquedos. Mas os vampiros também faziam isso, com um e outros. Lonwyn parecia satisfeito completamente com o resultado que estavam tendo no momento. Mas não contou com os terceiros. 


- Acham mesmo, que iremos assistir vocês foderem com a porra do nosso Reino?

Junto da fala, uma enorme tormenta passou por cima dos lobisomens e vampiros. Como que os varrendo com fumaça, empurrando os vampiros para longe junto de sangue e fogo, lobos que voltavam a ser pessoas novamente com os ferimentos. Lonwyn não aguentou. Como humano novamente, parou diante daquele homem, alto e pálido, mas não era nenhum vampiro.


- ENONE! - ele exclamou. - Não é de sua conta! Dê o fora daqui! 
- Creio que esteja terrivelmente enganado, senhor Lonwyn. Nós viemos para ficar, sinto muito. 


E abriu um sorriso perverso no rosto. Agora Lonwyn podia ver. A fumaça na verdade eram homens, "demônios", como são chamados, com membros longos demais para se lutar contra. A ultima coisa que se lembrou, foi de ser agarrado por dois destes, obrigando-o a ir com o rosto contra a terra. 


- Poupem os que se renderem! - Enone gritou de cima de um telhado, numa pose majestosa - Haliax já é nossa!


Junto de gritos de vitória e de dor, Lonwyn fechou os olhos, derrotado.



Entry #00

     Imagine-se num mundo parecido com o nosso. Com Reinos no lugar de países, separados por oceanos com criaturas inimagináveis e piratas que comandam estes, em navios enormes, com bandeiras que contam suas histórias no primeiro vislumbrar destas. Reinos onde ao invés de etnias, apresentam-se raças diferenciadas, raças que lutaram com seus próprios modos para conseguir a posição onde se encontram atualmente. Não há uma regra universal. Com cada Reino possuindo seu próprio governo autoritário sobre o território, com o tipo de poder que bem lhe aprouver, realizando o melhor para sua raça - ou é o que deveriam fazer -, quais seriam os problemas? Acredite: Muitos.